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    • Propina de Cabral pagou mãe, mulher, ex, filhos, irmãos, tia...

      Em 06/05/2017 13:10:52 Por: Agreste FM (0) Comentários
    • Imagem Notícias

      RIO -Anotações apreendidas na casa do operador Luiz Carlos Bezerra
      indicam que o esquema de corrupção comandado por Sérgio Cabral (PMDB)
      abasteceu o ex-governador e outras dez pessoas do círculo familiar com
      R$ 7,3 milhões em propina, sempre em espécie, entre outubro de 2013 e
      outubro de 2016. Os papéis, que deram origem a um relatório detalhado da
      Polícia Federal (PF), mostram que o mecanismo funcionou até a
      antevéspera da prisão de Cabral e aliados: há o registro de um pagamento
      de R$ 40 mil para que a governanta da casa do ex-governador, no Leblon,
      pagasse despesas da residência em 15 de novembro, dois dias antes da
      deflagração da Operação Calicute.



      Ao GLOBO, por e-mail, a mãe de Cabral, Magaly, afirmou que o filho
      “vez ou outra mandava algum recurso”. Ela disse que não saberia
      “precisar valores” e que não conhecia a origem dos recursos.



      O material colhido mostra que Bezerra movimentou R$ 37,6 milhões
      entre 2013 e 2016. Os recursos ilícitos eram enviados também para
      funcionários de Cabral e de Adriana Ancelmo, responsáveis por pagar as
      contas da casa, faturas dos cartões de crédito e outras despesas.


      Na quinta-feira, em depoimento ao juiz Marcelo Bretas, Bezerra confirmou que recolhia dinheiro de propina em empresas e transportava os valores, sob as ordens de Cabral.
      Os pagamentos foram direcionados para a mulher do ex-governador,
      Adriana Ancelmo; a ex-mulher, Susana Neves; os três filhos do primeiro
      casamento — o deputado federal Marco Antônio Cabral (PMDB), João Pedro e
      José Eduardo; a mãe, Magaly; os irmãos, Maurício e Cláudia; uma
      sobrinha, Maria; e Fanny Maia, tia de Adriana Ancelmo.



      Todos eram identificados por codinomes, como “BD” (Cabral), “Covitch”

      (Maurício), “Susi” ou “Manoel” (Susana) e “Boys” ou “Kids” (os três
      filhos). O irmão de Cabral recebia remessas frequentes de R$ 15 mil e,
      durante a audiência, Bezerra explicou que se tratava de uma “mesada”
      paga pelo ex-governador. “Mas ele não trabalha?”, interrogou Bretas na
      ocasião.

      Também há pagamentos de R$ 20 mil para o filho João Pedro com a
      indicação de que seria uma mesada. Foram feitos 182 repasses ao grupo.


      Os representantes das empresas que contribuíam também eram
      identificados por apelidos. “Disney” era a referência à Tânia
      Fontenelle, da Carioca Engenharia, enquanto Xerife era a alcunha de
      Gustavo Estellita, empresário que está preso e é ligado ao Grupo Oscar
      Iskin, que vende equipamentos hospitalares.



      Bezerra contou ainda que recolheu propina na Viação Flores, companhia
      de ônibus com sede em São João de Meriti, na Baixada Fluminense — a
      empresa era identificada como “Flowers”. O operador disse ainda que o
      empresário Georges Sadala, ligado a Cabral, também contribuiu com o
      esquema e era apelidado de “Salada”. Já Marco Antônio de Lucca, da
      Masan, aparece nas anotações como “Loucco”. Ele foi levado
      coercitivamente a depor na Operação Quinto do Ouro, que prendeu cinco
      conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE), soltos
      posteriormente. Há uma investigação em andamento que apura se empresas
      da área de alimentos, como a Masan, subornavam agentes públicos para
      conseguir contratos com o estado.



      O relatório da PF cita que Bezerra também recolhia o dinheiro que
      seria repassado aos familiares com um portador dos doleiros Marcelo e
      Renato Chebar, que lavavam dinheiro para o grupo de Cabral no exterior.
      Outra fonte era o operador Sérgio Castro de Oliveira, conhecida como
      “Serjão” ou “Big”.



      Magaly Cabral disse que, ao ser questionado, o ex-governador afirmou que o dinheiro vinha de aplicações financeiras.




      — Honestamente, não posso precisar valores. Meu filho, vez ou outra,
      mandava algum recurso para mim e meu marido, já que o pai parou de
      produzir, por estar com Alzheimer. Evidentemente que não tinha noção da
      ilicitude (dos recursos). Quando perguntei sobre o assunto, a resposta
      obtida era que eram aplicações — afirmou a mãe do ex-governador.



      A defesa de Adriana Ancelmo afirmou que “qualquer recebimento vindo”
      de Cabral para a família eram de “valores legais”. Já Marco Antônio
      Cabral disse, em nota, que ele e seus irmãos “jamais receberam valores
      dessa ordem”, como descrito nos documentos apreendidos com Bezerra. Em
      depoimento à PF, Susana Neves disse que, em média, recebia entre R$ 15
      mil e R$ 20 mil por mês e que não conhecia a origem do dinheiro. A
      defesa de Maurício Cabral afirmou que “desconhece os valores e as
      informações”. Os outros citados não foram encontrados.


      Fonte, OGlobo

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